Quando o auxílio maternidade cai na conta, muitas mães recebem o valor de uma vez só e não sabem por onde começar a dividir esse dinheiro entre as contas de sempre e os gastos novos do bebê. A dúvida é ainda maior para quem não é empregada com carteira assinada, porque nesse caso o pagamento costuma vir direto do INSS, às vezes cobrindo de uma só vez os meses inteiros do afastamento.
Sem um plano, é fácil gastar rápido demais logo no começo e faltar dinheiro exatamente no mês em que o bebê dá mais trabalho. Não existe fórmula igual para todo mundo, porque o valor do benefício e o tamanho das contas fixas mudam de família para família. Mas dá para montar um jeito simples de organizar esse dinheiro assim que ele entra, e é isso que este texto mostra.
Este texto não vai dizer quanto a mãe vai receber, porque o valor do auxílio maternidade depende da remuneração de cada segurada e da categoria em que ela contribui para o INSS. O que dá para adiantar é o método: como separar o que já é despesa fixa da casa do que é gasto novo por causa do bebê, para o dinheiro render até o fim da licença.
Por que o auxílio maternidade pede um jeito diferente de organizar as contas?
O auxílio maternidade não chega sempre do mesmo jeito, e é essa diferença que muda como organizar o orçamento. Quem tem carteira assinada costuma receber o valor mês a mês, na mesma data em que recebia o salário, porque a empresa paga e depois é ressarcida pelo INSS. Já quem contribui como contribuinte individual, MEI, contribuinte facultativa, trabalhadora rural ou está desempregada dentro do período de graça recebe direto do INSS, depois de pedir pelo Meu INSS, muitas vezes numa única parcela que cobre os 120 dias previstos no artigo 71 da Lei 8.213/91.
Quem recebe tudo de uma vez tem um risco a mais. Sem dividir esse valor por mês, é fácil gastar rápido demais logo no início da licença e chegar sem reserva ao fim do afastamento, que é justamente quando a renda extra do benefício para de cair na conta. Para quem nunca teve um dependente antes, esse é também o primeiro orçamento da casa que precisa considerar um gasto novo e recorrente, o que torna o hábito de dividir o valor por mês ainda mais importante do que em qualquer outra fase.
Como dividir o auxílio maternidade entre despesas fixas e do bebê?
Dividir o auxílio maternidade fica mais simples quando a mãe separa, antes de gastar qualquer valor, o que já é conta fixa da casa do que é gasto novo por causa do bebê. O passo a passo abaixo serve tanto para quem recebe o valor mês a mês quanto para quem recebeu tudo de uma vez.
- Liste as contas fixas do mês, como aluguel ou financiamento, condomínio, luz, água, internet e plano de saúde.
- Separe, numa lista à parte, os gastos que só existem por causa do bebê, como fralda, leite, consultas e itens de enxoval que ainda faltam comprar.
- Se o valor caiu em uma parcela só, divida esse total pelo número de meses de afastamento para saber quanto sobra, de fato, por mês.
- Deixe uma pequena reserva de lado para imprevistos, como uma consulta fora do plano de saúde ou um remédio de farmácia.
- Revise as duas listas todo mês, porque o gasto do bebê muda bastante nas primeiras semanas.
Feita essa divisão uma vez, ela fica mais rápida de repetir nos meses seguintes. O trabalho maior é o primeiro mês, quando a rotina da casa ainda está se ajustando à chegada do bebê.
O que fazer quando o auxílio maternidade não cobre o mês inteiro?
Quando o auxílio maternidade não fecha a conta do mês, o primeiro passo é cortar o que dá para adiar, não o que é essencial para a saúde do bebê. Compras de conforto, como itens de decoração do quarto ou roupas além do necessário, costumam dar mais espaço no orçamento do que cortar consultas ou vacinas.
Vale conferir também, pelo aplicativo Meu INSS, se não ficou nenhuma parcela do benefício pendente de pagamento, porque atraso do INSS aperta o orçamento sem que a família tenha culpa nisso. Quem já recebeu um valor atrasado e quer saber como encaixar esse dinheiro no mês a mês pode ler como usar o salário-maternidade retroativo no orçamento. O acompanhamento do pedido pelo Meu INSS é gratuito, sem precisar contratar terceiros para isso.
Se o pedido foi negado e a mãe acha que tinha direito, o caminho é o recurso administrativo, com prazo próprio para ser apresentado. Enquanto o recurso corre, o orçamento do mês precisa se virar sem essa renda, o que reforça por que vale reunir a documentação certa logo na primeira tentativa, em vez de contar com o valor antes de ele ser confirmado.
Vale a pena guardar uma parte do auxílio maternidade para depois da licença?
Guardar uma parte do auxílio maternidade ajuda a suavizar a volta ao trabalho, porque a renda extra do benefício para justamente quando a rotina da família ainda está se ajustando. Se o orçamento permitir, separar um valor equivalente a um mês de despesas fixas antes do fim da licença dá um respiro para os primeiros gastos que aparecem depois, como creche, babá ou uma redução temporária na carga de trabalho da mãe.
Isso não é obrigatório, e nem toda família consegue guardar algo nesse período. Mas quem consegue evita entrar direto de um orçamento apertado da licença para outro orçamento apertado do retorno ao trabalho, sem nenhum intervalo entre os dois.
Dividir o auxílio maternidade não precisa ser complicado. A parte difícil é lembrar que ele tem prazo para acabar. Separar contas fixas de gastos do bebê logo na primeira semana, e revisar essa divisão todo mês, evita boa parte do aperto que pega as famílias de surpresa. Para entender os gastos que aparecem ao longo de todo o primeiro ano, vale ler também quanto custa o primeiro ano do bebê com o auxílio maternidade.

