Para quem trabalha por conta própria, é comum descobrir o valor real do auxílio maternidade só depois de pedir o benefício, quando o depósito cai na conta bem abaixo do que a mãe ganhava por mês trabalhando. Isso acontece porque, para autônomas, MEI, contribuintes individuais e facultativas, o INSS não paga o que você fatura no mês do parto. Ele paga uma média das contribuições feitas nos meses anteriores, e se essa base foi baixa em algum período, a média cai junto.
Esse aperto pega muita mãe de surpresa bem no meio da licença, quando as contas do bebê já estão organizadas para um valor que não chega no fim do mês. Dá para evitar boa parte desse susto calculando o valor esperado antes de pedir o benefício e ajustando o orçamento com antecedência, em vez de descobrir a diferença só quando o dinheiro já cai na conta.
Quem tem carteira assinada não passa por isso: o valor sai igual ao salário de sempre. O aperto é mais comum entre autônomas, MEI e quem contribui como facultativa, justamente o grupo que costuma variar o quanto recolhe de um mês para outro.
Por que o auxílio maternidade pode vir menor que o salário de sempre?
O valor menor acontece porque o cálculo usa a média das suas contribuições, não o que você ganhou no mês do parto. Para quem tem carteira assinada, o benefício corresponde ao salário integral, pago pela empresa e depois compensado com o INSS. Já para contribuinte individual, MEI, facultativa e segurada especial da zona rural, a Lei 8.213/91 manda calcular a média dos salários de contribuição dos últimos 12 meses, dentro do período de 15 meses imediatamente anteriores ao início do benefício.
Quem contribuiu sempre pelo teto do INSS recebe um valor próximo do teto. Quem contribuiu por valores menores, ou deixou meses sem recolher dentro desse período, tem a média puxada para baixo, embora o valor final nunca fique abaixo de um salário mínimo. É por isso que duas mães com a mesma profissão podem receber valores bem diferentes: o histórico de contribuição de cada uma é diferente.
Como estimar o valor do benefício antes de pedir?
Dá para chegar perto do valor exato reunindo o extrato de contribuições e fazendo uma conta simples, direto pelo celular.
- Entre no Meu INSS, pelo aplicativo ou pelo site, e abra o extrato de contribuições (CNIS).
- Anote o salário de contribuição de cada um dos últimos 12 meses, dentro do período de 15 meses anteriores à data prevista do afastamento.
- Some os 12 valores.
- Divida o total por 12. Esse número é o valor aproximado do seu auxílio maternidade mensal.
- Compare esse valor com o que entra hoje no seu orçamento para saber, ainda antes do parto, quanto vai faltar por mês.
Esse cálculo é só uma estimativa. O valor final depende da análise do INSS, que pode considerar meses diferentes ou ajustes que não aparecem no extrato.
Vale fazer essa conta ainda na gravidez, com tempo de sobra para se organizar, em vez de deixar para depois que a licença já começou. Quem contribui como MEI ou autônoma e percebe que a média vai ficar baixa também pode, dentro do que a atividade permitir, ajustar o valor da contribuição nos meses seguintes, sempre respeitando as regras de cada categoria.
Que contas priorizar quando a renda cai durante a licença?
Nos meses de licença, o primeiro passo é separar as contas fixas que não podem faltar, como moradia, alimentação, plano de saúde e remédios, do que pode esperar. Assinaturas de streaming, compras parceladas novas e trocas de equipamento dão para adiar até a renda normalizar.
Vale também revisar contratos que renovam sozinhos, como internet e plano de celular, e negociar valor menor ou trocar de operadora antes do afastamento começar, quando ainda sobra tempo para pesquisar com calma. Itens do enxoval que não são urgentes podem entrar aos poucos, em vez de tudo de uma vez no mesmo mês.
Se a diferença entre o salário de antes e o auxílio maternidade for grande, vale montar uma reserva específica para os meses de licença, guardando um pouco a cada mês enquanto ainda está trabalhando normalmente.
Dá também para conversar com quem divide as contas de casa sobre como cobrir a diferença nesse período, em vez de assumir sozinha o ajuste. Colocar no papel, ou numa planilha simples, o que entra e o que sai em cada mês da licença ajuda a enxergar o aperto antes que ele vire atraso de conta.
O auxílio maternidade retroativo ajuda a cobrir essa diferença?
Quando o pedido demora e o benefício sai retroativo, o valor acumulado de uma vez alivia boa parte do aperto dos primeiros meses, mas não deve virar a única reserva da família. Esse dinheiro tende a cobrir gastos represados durante a espera, não substitui o planejamento mensal dos meses seguintes. Neste outro texto tem mais detalhes sobre como organizar esse valor quando ele finalmente cai na conta.
Pedir o auxílio maternidade e consultar o extrato de contribuições não custa nada: o pedido pode ser feito direto pelo Meu INSS, sem precisar de assessoria paga para dar entrada. Uma assessoria privada, como esta, ajuda em casos mais complicados, mas o caminho gratuito sempre existe.
Fazer as contas antes do parto, e não só depois que o benefício já caiu na conta, é o que evita boa parte do aperto financeiro dos primeiros meses com o bebê. Para entender outras contas dessa fase, dá para conferir os outros textos da categoria Maternidade e Finanças.

